domingo, 16 de março de 2008

O crime

Fernanda Tadeu, até agora uma ilustre desconhecida, saltou para a ribalta por ter sido apanhada pela objectiva de um fotógrafo que a conhecia como a “esposa de António Costa”.
De imediato a foto correu as parangonas e a notícia foi explorada pelos jornalistas à procura das últimas consequências políticas que tal acto pudesse provocar.
Não sei se Fernanda Tadeu, mulher bonita por sinal, se encontrava no meio de 99.999 professores por ter sido apanhada na avalanche enquanto percorria as ruas da capital olhando as montras, ou se, pelo contrário, lá estava a manifestar-se contra as políticas do governo que o seu marido ajudou a elaborar. E pouco importa.
Acho, contudo, que é muito grave a senhora ter saído à rua sem o consentimento do marido e nisso os jornalistas têm toda a razão. Aliás, acho mesmo que quando chegasse a casa o marido deveria pegar numas listas telefónicas e numas toalhas encharcadas e dar-lhe um bom arraial. A senhora não tem direito a ter uma vida própria.
Até vou um pouco mais longe que os jornalistas: toda a esposa que seja de outro clube de futebol que não aquele pelo qual o marido faz tristes figuras em dias de jogo, deveria ser severamente castigada. E se quer militar num partido diferente o melhor é que pegue nas suas trouxinhas e saia de casa. Acho bem, mesmo muito bem, que sigamos o exemplo das sociedades que consideramos subdesenvolvidas e do terceiro mundo e ponhamos a mulher no seu devido lugar…
Francamente, haja pachorra.

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