Seringas pr'a troca
A propósito da campanha de troca de seringas prevista para as prisões, no âmbito da lei promulgada o ano passado, e mais importante do que opinar sobre as vantagens e desvantagens ou ser-se a favor ou contra a iniciativa, é o reconhecimento de que a droga circula livremente pelas cadeias portuguesas.Aliás, muitos dos reclusos estão detidos precisamente pelo facto de terem sido apanhados na posse ou pelo uso de droga. Parece, por conseguinte, haver aqui um profundo paradoxo. Mal comparado e por absurdo, será mais ou menos o mesmo que distribuir armas pelos homicidas presos, para que possam continuar no “exercício das suas funções”.
Se ignorar o problema é enterrar a cabeça na areia, colaborar nele, desta forma, parece sinal de impotência do estado e de um baixar de braços do género: “se não podes vencê-los…”
Como diriam os Gato Fedorento na rábula de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o aborto: é proibido! Mas pode-se fazer? Pode, mas é proibido!
